Agentes do ICE receberam um telefonema misterioso durante o voo de deportação e perguntaram se ela queria ficar no Brasil ou voltar aos EUA
Por Chico Gomes | GNEWSUSA
Detida em julho nos Estados Unidos, quando compareceu a uma audiência com autoridades da imigração, a brasileira Maisa Lopes Eliaser, de 32 anos, ganhou a liberdade esta semana. A jovem estava em um voo de deportação com destino ao Brasil na última quarta-feira (12), quando um agente do ICE perguntou se ela queria ficar no Brasil ou retornar aos EUA. A pergunta foi feita após os agentes de imigração receberem um telefonema misterioso.
A informação foi divulgada por Alexis Jaramillo, marido de Maisa desde 2024 e sargento do Exército dos Estados Unidos. “Quem fez a ligação? Não sabemos. Mas alguém fez a ligação, e então ela voltou”, disse.
O voo seguiu até o Brasil e os outros brasileiros deportados desembarcaram, mas a esposa do militar voltou à Louisiana, sendo colocada em liberdade nos EUA logo em seguida. Os agentes do ICE lhe contaram que ela tinha ficado “famosa” por conta dos vídeos sobre o caso.
Maisa retornou para casa e terá uma nova audiência nesta segunda-feira (17) com objetivo de conseguir o green card, documento oficial de residência permanente nos Estados Unidos. Mesmo em liberdade, a brasileira relatou que tem dificuldades para dormir e teme ser levada novamente a um centro de detenção.
“Parecia que eu estava em um pesadelo. Eu não conseguia acreditar no que estava acontecendo até voltar para casa. Dia após dia, estou tentando me recuperar desse trauma”, afirmou.
Visto vencido
Quando Maisa foi presa, o Departamento de Segurança Interna (DHS) informou que ela tinha recebido uma ordem definitiva de deportação emitida por um juiz de imigração. O órgão diz que ela permaneceu nos EUA após o vencimento do visto de turista usado para entrar no país em 2019.
O marido da brasileira, que atua no Exército americano há mais de 10 anos, se afastou temporariamente das atividades de treinamento de militares quando a esposa foi presa para cuidar do filho de 5 anos. Ele disse que continua preocupado com a situação de Maisa, apesar de ter recebido garantias de que não haverá novos problemas.
“Estamos com muito, muito, muito medo, mas temos que ir. Eu disse à pessoa que marcou o compromisso: ‘Senhor, não brinque comigo, já passei por muita coisa’”, declarou Jaramillo.
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