Ministro negou qualquer relação com Daniel Vorcaro e afirmou que a decisão de não participar da análise está ligada à presidência do TSE
Por Gilvania Alves |GNEWSUSA
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques declarou-se impedido, nesta terça-feira (15), de participar da votação sobre a possibilidade de investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. A manifestação ocorreu durante a sessão do plenário da Corte.
Nunes Marques afirmou que não possui relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e negou qualquer irregularidade envolvendo seu filho, o advogado Kevin Marques. Segundo o ministro, a decisão de não votar está relacionada à sua atuação como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Durante sua manifestação, Nunes Marques afirmou que nunca julgou processos relacionados ao Banco Master e que seu filho não prestou serviços à instituição nem recebeu pagamentos do banco.
“Nunca julguei nenhum processo relacionado ao Master. Meu filho nunca prestou nenhum serviço ao banco e nunca foi remunerado pelo banco. Isso é fato, porque o sigilo bancário já foi quebrado. Não adianta se especular de outra forma, porque se o sigilo já foi quebrado, contra fatos não existem argumentos.”
O ministro também destacou que não há registros de comunicação entre ele e Daniel Vorcaro.
“Eu entendo que, em relação ao caso, eu nunca troquei nenhuma mensagem, não há registro de nenhuma mensagem minha com Daniel Vorcaro.”
Nunes Marques ainda afirmou ter atuado com independência em decisões anteriores relacionadas ao caso. Como exemplo, citou seu voto pela manutenção da prisão de Daniel Vorcaro, do pai do empresário e de outras pessoas investigadas.
“Quanto a isso, eu tenho absoluta isenção e a minha isenção está calcada e absolutamente comprovada nos votos que eu proferi. Se eu me sentisse desconfortável ou cooptado de alguma forma, jamais teria votado pela confirmação da prisão de Daniel Vorcaro, do seu pai e de outras pessoas envolvidas.”
Apesar de defender sua isenção, o ministro explicou que impedimentos não necessariamente estão relacionados à existência de culpa, podendo decorrer também de circunstâncias que comprometam a participação de um julgador.
“Mas nós sabemos que os impedimentos e as suspensões não decorrem somente de culpabilidade. Elas são fruto também de fatores intrínsecos e extrínsecos.”
Ao justificar sua decisão, Nunes Marques ressaltou ainda a responsabilidade que possui à frente do TSE, especialmente diante da proximidade das eleições de 2026.
“Eu entendo que eu tenho uma missão que me foi conferida pela Constituição Brasileira e até agora está sendo assegurada por Deus e que, para mim, sem absolutamente nenhuma enalçada da relevância desse julgamento, o mesmo é o caso do TSE.”
O ministro afirmou que considera sua atuação na Justiça Eleitoral especialmente relevante neste momento, destacando a proximidade do processo eleitoral.
“Eu entendo que essa missão é mais importante que assegurar o equilíbrio nas eleições de 2026 e que estamos apenas há 19 dias.”
Com a declaração de impedimento, Nunes Marques não participará da votação do caso envolvendo a eventual investigação sobre Moraes. A manifestação também serviu para que o ministro afastasse publicamente qualquer suspeita de relação com Vorcaro ou com o Banco Master.
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