Novos episódios registrados em 2026 reacendem a preocupação com doenças e mortes provocadas pelas altas temperaturas; trabalhadores expostos ao sol e ao calor intenso estão entre os grupos mais vulneráveis
Por Paloma de Sá |GNEWSUSA
As altas temperaturas continuam representando um importante risco à saúde dos trabalhadores no Texas. Em 2026, o estado voltou a enfrentar períodos de calor extremo, enquanto relatos de trabalhadores afetados pelas temperaturas elevadas e novos casos graves reforçam a preocupação com a segurança durante a jornada. Uma reportagem publicada nesta quinta-feira, 17 de setembro, mostra que o problema vem se agravando: entre 2021 e 2024, o Texas registrou aumento de 60% nas lesões relacionadas ao calor no ambiente de trabalho, chegando a 1.720 ocorrências e pelo menos oito mortes registradas. Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que os números podem representar apenas uma parte do problema, devido à subnotificação.
A situação ganhou novos episódios em 2026. Em julho, a morte de um funcionário dos Correios na região de Dallas voltou a chamar atenção para os riscos enfrentados por trabalhadores durante ondas de calor. O caso ocorreu enquanto havia alerta de calor e temperaturas na casa dos três dígitos em Fahrenheit. A morte ainda estava sujeita à investigação das autoridades para determinar oficialmente a causa, mas o episódio ocorreu em meio a uma sequência de casos envolvendo trabalhadores expostos a temperaturas elevadas na região de Dallas-Fort Worth.
O calor pode provocar doenças graves
Trabalhar durante temperaturas muito elevadas exige que o organismo faça um esforço adicional para manter a temperatura corporal dentro de níveis seguros. O problema se torna maior quando o trabalhador precisa realizar atividade física intensa, permanece sob o sol por várias horas ou trabalha em locais com pouca ventilação.
A exposição prolongada pode provocar desidratação, cãibras, exaustão pelo calor e insolação. Os sintomas iniciais podem parecer simples cansaço, mas podem evoluir rapidamente, principalmente quando a pessoa continua trabalhando mesmo depois de começar a apresentar sinais de alerta.
Entre os sintomas de exaustão pelo calor estão suor intenso, fraqueza, tontura, dor de cabeça, náusea, cansaço e cãibras musculares. Nessa situação, é importante interromper a atividade e levar a pessoa para um local fresco, com sombra ou ar-condicionado, além de iniciar medidas de resfriamento e hidratação.
A insolação, por outro lado, é uma emergência médica. Confusão mental, alteração de comportamento, perda de consciência ou convulsões depois de exposição intensa ao calor exigem atendimento de emergência e resfriamento rápido da pessoa.
Quem trabalha ao ar livre está entre os mais expostos
Profissionais da construção civil, agricultura, manutenção, paisagismo, entregas, transporte e outros serviços realizados ao ar livre podem passar várias horas diretamente expostos ao sol.
Mas o problema não se limita aos trabalhos externos. Galpões, fábricas, cozinhas industriais, oficinas, armazéns e outros ambientes fechados também podem atingir temperaturas perigosas quando não existe ventilação ou climatização adequada.
A combinação entre temperatura elevada, umidade, esforço físico, exposição solar e duração da jornada determina o nível de estresse térmico ao qual o trabalhador está submetido.
Além disso, roupas pesadas e determinados equipamentos de proteção podem dificultar a eliminação do calor pelo organismo. Por isso, a prevenção precisa considerar as características específicas de cada atividade.
2026 trouxe novas medidas de fiscalização
Uma das principais mudanças deste ano ocorreu em abril, quando a Occupational Safety and Health Administration (OSHA) atualizou seu programa nacional de fiscalização relacionado às doenças provocadas pelo calor. A nova versão do National Emphasis Program for Heat-Related Hazards entrou em vigor em 10 de abril de 2026 e estabelece uma estratégia de fiscalização voltada para ambientes de trabalho com maior exposição ao calor.
A atualização ganhou importância durante o verão de 2026, quando trabalhadores de diferentes setores continuaram enfrentando temperaturas elevadas. No Texas, a atenção também aumentou devido à realização de grandes eventos durante o período de calor, incluindo atividades relacionadas à Copa do Mundo, que mobilizaram trabalhadores temporários em áreas externas, transporte, alimentação, segurança, limpeza e montagem de estruturas.
Água, descanso e sombra são medidas fundamentais
A prevenção do estresse térmico começa antes de o trabalhador apresentar sintomas.
Entre as medidas mais importantes estão o acesso frequente à água potável, períodos de descanso e locais protegidos do sol ou climatizados. Também é importante permitir que trabalhadores que estão começando uma atividade sob calor intenso tenham um período de adaptação gradual.
Essa adaptação, conhecida como aclimatação ao calor, permite que o organismo desenvolva mecanismos mais eficientes para lidar com temperaturas elevadas. Pessoas que retornam ao trabalho depois de alguns dias afastadas também podem precisar de atenção especial.
Outra medida importante é organizar, quando possível, as tarefas mais pesadas para períodos de menor calor e acompanhar as condições meteorológicas durante a jornada.
Os sinais de alerta não devem ser ignorados
Um dos problemas do estresse térmico é que o trabalhador pode tentar continuar a atividade mesmo depois de começar a passar mal.
Tontura, fraqueza, dor de cabeça, náusea, cãibras e confusão não devem ser tratados simplesmente como consequência normal de um dia quente. Esses sinais podem indicar que o corpo está tendo dificuldade para controlar a própria temperatura.
Colegas de trabalho também desempenham papel importante. Uma pessoa afetada pelo calor pode não perceber a gravidade da própria condição. Por isso, trabalhadores devem observar uns aos outros e procurar ajuda quando alguém apresentar comportamento incomum, dificuldade para caminhar, confusão ou perda de consciência.
Dados recentes ainda são parciais
Um ponto importante na análise dos números de 2026 é que o ano ainda não terminou. Portanto, não existe neste momento um balanço anual fechado que permita afirmar quantas lesões ocupacionais relacionadas especificamente ao calor ocorreram no Texas durante todo o ano.
O dado estadual mais recente consolidado citado na reportagem publicada em 17 de setembro continua sendo o período de 2021 a 2024, com 1.720 lesões e pelo menos oito mortes relacionadas ao calor. Já os acontecimentos de 2025 e 2026 ajudam a mostrar que o problema continua presente, mas não devem ser apresentados como um total anual definitivo.
Em novembro de 2025, uma investigação publicada pela Public Health Watch também documentou casos de trabalhadores afetados pelo calor no Texas e acompanhou histórias de mortes e doenças relacionadas às altas temperaturas, mostrando que o problema já vinha sendo observado antes da temporada de calor de 2026.
O que fazer diante de uma emergência
Se um trabalhador apresentar sinais de insolação, especialmente confusão, desmaio, convulsão ou alteração de consciência, a situação deve ser tratada como emergência.
Enquanto o atendimento médico é acionado, a pessoa deve ser retirada do ambiente quente e ter o corpo resfriado rapidamente. Não é recomendado esperar para verificar se os sintomas desaparecerão sozinhos.
Nos casos menos graves, como sinais de exaustão pelo calor, também é importante interromper a atividade, buscar um local fresco, descansar e iniciar a reposição de líquidos.
Calor também aumenta o risco de acidentes
O impacto das altas temperaturas não se limita às doenças diretamente provocadas pelo calor. Fadiga, tontura, desidratação e dificuldade de concentração podem comprometer a capacidade do trabalhador de realizar tarefas com segurança.
Esse fator é especialmente relevante em atividades que envolvem máquinas, veículos, ferramentas, construção civil, trabalho em altura ou equipamentos pesados.
Assim, uma jornada realizada em condições de calor extremo pode representar dois riscos simultâneos: a própria doença provocada pelo calor e a possibilidade de acidentes decorrentes da redução da atenção e do desempenho físico.
Prevenção deve fazer parte da rotina
A realidade observada no Texas em 2025 e 2026 reforça a importância de tratar o calor como um risco ocupacional e não apenas como uma condição desconfortável do verão.
Para os trabalhadores, reconhecer os primeiros sintomas e comunicar imediatamente qualquer mal-estar pode evitar uma evolução grave. Para empregadores, oferecer água, descanso, sombra ou ambientes refrigerados, treinamento e adaptação gradual ao calor são medidas fundamentais para reduzir os riscos.
Com a continuidade dos episódios de calor extremo em 2026, a atenção à saúde dos trabalhadores permanece necessária. Os números anuais definitivos ainda serão conhecidos posteriormente, mas os casos já documentados mostram que a exposição prolongada a temperaturas elevadas pode ter consequências sérias e, em determinadas circunstâncias, fatais.
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