Governo tenta manter influência na Suprema Corte mesmo após forte resistência no Congresso
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve insistir em uma nova indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) após a rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, pelo Senado.
A fala contraria a avaliação de parte dos bastidores políticos de que Lula poderia deixar a vaga aberta até o próximo governo.
Segundo Wellington Dias, Lula não pretende abrir mão de indicar um novo nome para ocupar a cadeira vaga no STF, mesmo após a derrota sofrida no Senado.
“Ele escolheu o melhor, o Congresso rejeitou. Agora vai escolher alguém entre os melhores para indicar de novo”, declarou o ministro.
Rejeição expôs desgaste entre Planalto e Senado
A derrota de Jorge Messias no Senado provocou forte repercussão política em Brasília e aumentou a percepção de enfraquecimento da articulação do governo dentro do Congresso Nacional.
Nos bastidores, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, é apontado como um dos principais articuladores da rejeição ao nome indicado pelo Planalto.
Parlamentares avaliam que a derrota representou um duro recado político ao governo Lula e evidenciou dificuldades do Palácio do Planalto para manter apoio sólido no Senado.
Logo após o resultado da votação, aliados de Messias passaram a apontar movimentações políticas nos bastidores da Casa. O próprio AGU fez uma declaração interpretada como indireta ao comando do Senado ao afirmar que “sabemos quem fez isso”.
Ação no STF tenta anular votação
A polêmica envolvendo a rejeição chegou ao Supremo. A Associação Civitas para Cidadania e Cultura ingressou com uma ação questionando o resultado da votação e pedindo a anulação do processo.
O argumento central é de que teria havido articulação prévia sobre o placar da votação. Pouco antes da divulgação oficial do resultado, microfones do Senado captaram Alcolumbre antecipando o número de votos contrários à aprovação do indicado. O caso está sob relatoria do ministro Luiz Fux.
Governo tenta evitar cadeira vaga até 2026
Segundo Wellington Dias, Lula já estaria conversando com Alcolumbre para tentar viabilizar uma nova sabatina ainda durante o atual mandato presidencial.
Apesar disso, a avaliação predominante entre senadores é de que a cadeira pode permanecer vaga até o fim de 2026.
A possibilidade de uma nova derrota preocupa aliados do governo e amplia o desgaste político do Planalto em meio às disputas com o Congresso.
Ao comentar o impasse, Wellington Dias afirmou que a relação entre os Poderes deve ocorrer com “harmonia” e criticou a possibilidade de deixar a escolha para o próximo presidente da República.
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