Brasil entra em semana decisiva para negociar tarifaço com Estados Unidos

Governo intensifica negociações com Washington antes do prazo final e aposta em diálogo técnico para tentar impedir impacto sobre exportações brasileiras
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

O governo federal inicia uma semana considerada decisiva nas negociações comerciais com os Estados Unidos para tentar evitar a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A decisão norte-americana deve ser anunciada até a próxima quarta-feira (15), prazo estabelecido na investigação comercial conduzida com base na chamada “Seção 301”. Enquanto busca uma última rodada de conversas com autoridades americanas, o Palácio do Planalto mantém a estratégia de negociação técnica, sem abrir mão de temas considerados estratégicos para o país.

Prazo final aumenta pressão sobre negociações

A expectativa do Palácio do Planalto é que representantes dos dois países realizem uma última reunião com o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) antes do encerramento do prazo legal, marcado para o dia 15 de julho.

Segundo integrantes do governo, o encontro poderá indicar qual será a decisão final da investigação comercial conduzida pelos norte-americanos.

Caso a medida seja confirmada, diversos produtos brasileiros poderão ser atingidos por uma tarifa adicional de 25%, afetando setores exportadores e aumentando os custos das vendas ao mercado americano.

Lula mantém estratégia sem concessões consideradas sensíveis

Na última sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu ministros responsáveis pelas negociações para avaliar o cenário e definir os próximos passos.

Durante o encontro, integrantes das áreas de Relações Exteriores, Desenvolvimento, Indústria e Comércio apresentaram um panorama atualizado das conversas com o governo americano.

Apesar do cenário considerado desfavorável, Lula decidiu manter a estratégia adotada desde o início das negociações.

O governo continuará priorizando o diálogo técnico, mas sem aceitar mudanças em temas considerados estratégicos para os interesses nacionais.

Entre eles está a política relacionada ao etanol, que permanece fora das concessões oferecidas ao governo norte-americano.

Histórico das negociações aumenta preocupação

Fontes ligadas ao Planalto avaliam que há sinais de dificuldade para um entendimento entre os dois países.

Pesam nessa análise o histórico de negociações comerciais da administração do presidente Donald Trump, as reuniões anteriores realizadas entre representantes brasileiros e americanos e declarações recentes do chefe do USTR, Jamieson Greer.

Em entrevista concedida na semana passada, Greer afirmou que ainda existe uma distância significativa entre as posições dos dois governos e que uma decisão definitiva seria anunciada em breve, respeitando o prazo legal da investigação.

A declaração reforçou a percepção de que a aplicação das tarifas continua sendo o cenário mais provável.

Plano brasileiro tenta responder às preocupações dos EUA

Como parte da estratégia diplomática, o Brasil apresentou aos Estados Unidos um conjunto de propostas destinadas a responder aos principais pontos levantados durante a investigação baseada na Seção 301 da legislação comercial americana.

O documento aborda preocupações relacionadas a diferentes áreas, incluindo questões regulatórias, ambiente de negócios, combate à corrupção e políticas ambientais.

Algumas das medidas propostas já estão em tramitação no Congresso Nacional, enquanto outras vêm sendo elaboradas pelo próprio governo federal.

No entanto, o Executivo deixou claro que determinados temas não serão objeto de negociação.

Entre eles está o sistema de pagamentos instantâneos Pix, considerado pelo governo brasileiro uma política pública consolidada e inegociável.

Redução de tarifas faz parte da proposta brasileira

Outro ponto apresentado durante as negociações foi a possibilidade de reduzir tarifas de importação sobre aproximadamente 300 linhas tarifárias.

Entretanto, pelas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), o Brasil não pode conceder esse benefício exclusivamente aos Estados Unidos.

Por esse motivo, a proposta prevê uma eventual redução tarifária válida para diferentes países, concentrando-se em setores onde empresas norte-americanas possuem maior competitividade e onde os impactos sobre a indústria nacional seriam considerados limitados.

Cenários avaliados pelo governo

O Palácio do Planalto trabalha atualmente com diferentes possibilidades.

A principal delas continua sendo a confirmação da tarifa de 25%, cenário considerado o mais provável pelas equipes envolvidas nas negociações.

Outra hipótese analisada, embora vista como remota por integrantes do governo, seria um adiamento da decisão por parte dos Estados Unidos, ampliando o prazo para continuidade das conversas.

Independentemente do desfecho, autoridades brasileiras afirmam que o diálogo permanecerá aberto e que novas rodadas de negociação poderão ocorrer caso haja espaço para um entendimento entre os dois países.

Impacto pode atingir exportações brasileiras

Especialistas avaliam que a imposição de novas tarifas pode reduzir a competitividade de diversos produtos brasileiros no mercado americano, afetando empresas exportadoras e setores industriais que mantêm forte relação comercial com os Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, o governo brasileiro argumenta que a adoção da medida também poderá gerar custos para empresas e consumidores norte-americanos, uma vez que muitos produtos brasileiros integram cadeias produtivas importantes nos EUA.

Com o prazo final se aproximando, os próximos dias serão decisivos para definir os rumos das relações comerciais entre os dois países e os possíveis impactos sobre o comércio bilateral.

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