Vídeo revela destruição dentro de shopping após terremoto no Japão; número de mortos sobe para 34

Imagens divulgadas pela polícia mostram corredores reduzidos a escombros, estruturas metálicas retorcidas e equipes de resgate no interior do Aeon Mall Kumamoto, um dos locais mais atingidos pelo terremoto de magnitude 7,1
Por Gilvania Alves|GNEWSUSA

O avanço das operações de resgate na província de Kumamoto, no sudoeste do Japão, elevou para 34 o número de mortos confirmados após o terremoto de magnitude 7,1 que atingiu a região. Enquanto as equipes seguem em uma corrida contra o tempo para localizar sobreviventes, imagens inéditas divulgadas pelas autoridades japonesas revelam pela primeira vez o cenário de devastação no interior do Aeon Mall Kumamoto, onde uma explosão agravou os efeitos do tremor e transformou o centro comercial em um dos principais focos da tragédia.

As imagens, registradas por câmeras corporais da Agência Nacional de Polícia do Japão, mostram corredores completamente destruídos, tetos desabados, vigas de aço expostas e lojas reduzidas a montes de destroços. Policiais aparecem caminhando cuidadosamente entre os escombros antes de descer por uma escada rolante para inspecionar os andares inferiores do edifício. (Assista ao vídeo).

O shopping sofreu uma forte explosão cerca de uma hora depois do terremoto registrado na terça-feira (28). Segundo as autoridades, os clientes conseguiram deixar o prédio logo após o primeiro tremor, mas parte da estrutura cedeu antes que todos os funcionários fossem retirados. Pelo menos oito pessoas foram resgatadas dos escombros do centro comercial, sendo que três não resistiram aos ferimentos. A administração do empreendimento informou ainda que quatro funcionários continuavam desaparecidos durante a conferência realizada com uma equipe de aproximadamente 2.700 trabalhadores.

A causa da explosão ainda é investigada. De acordo com relatos das equipes de resgate, havia forte cheiro de gás no interior do edifício durante as buscas, levantando a hipótese de um vazamento provocado pelo terremoto. O principal porta-voz do governo japonês, Minoru Kihara, afirmou que a possibilidade de uma explosão de gás está entre as principais linhas de investigação, mas ressaltou que a origem do incidente ainda não foi confirmada.

Enquanto isso, o número de vítimas em toda a província continua aumentando à medida que novas áreas destruídas são alcançadas pelas equipes de emergência. Além dos 34 mortos, outras seis pessoas permanecem gravemente feridas, e autoridades admitem que o balanço pode sofrer novas atualizações conforme o trabalho de busca avança.

Os impactos do terremoto vão além das perdas humanas. Mais de 9 mil moradores permanecem fora de casa em 406 centros de evacuação, enquanto aproximadamente 79 mil residências seguem sem abastecimento de água e mais de 3,5 mil imóveis continuam sem energia elétrica. O cenário preocupa ainda mais devido à intensa onda de calor que atinge a região, com temperaturas próximas de 36°C, aumentando o risco de desidratação entre os desabrigados.

Para amenizar a situação nos abrigos, o governo instalou fontes temporárias de energia para manter aparelhos de ar-condicionado funcionando. No entanto, a falta de água continua dificultando tanto o atendimento às vítimas quanto as operações de limpeza e resgate.

Parte da infraestrutura de transporte começou a ser recuperada nesta sexta-feira (31). Os trens-bala Shinkansen voltaram a operar entre Kumamoto e Fukuoka, embora com restrições. Já diversas linhas ferroviárias locais permanecem interrompidas devido aos danos causados pelos tremores.

Logo após o desastre, a primeira-ministra Sanae Takaichi classificou as buscas como uma “corrida contra o tempo” e garantiu que todos os recursos disponíveis seriam mobilizados para localizar pessoas presas sob os escombros.

 “Mesmo agora, há pessoas esperando para serem resgatadas, e esta é uma corrida contra o tempo. Mobilizaremos todos os recursos disponíveis no local para salvar e resgatar o maior número possível de pessoas.”

 

O terremoto teve epicentro a cerca de 20 quilômetros ao sul da cidade de Kumamoto, na ilha de Kyushu. As autoridades japonesas alertam para o risco de novos tremores de grande intensidade nos próximos dias e também para a possibilidade de deslizamentos de terra provocados pela instabilidade do solo.

Especialistas lembram que o Japão está situado no Anel de Fogo do Pacífico, faixa geológica onde ocorre a maior concentração de terremotos e atividade vulcânica do planeta. A posição do país sobre o encontro de diversas placas tectônicas faz com que eventos sísmicos de grande magnitude sejam recorrentes, exigindo monitoramento constante e protocolos rigorosos de resposta a desastres.

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