Disputa pelo estratégico corredor marítimo aumenta a tensão no Oriente Médio e ameaça uma das principais rotas de petróleo e gás do mundo
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA
Uma nova escalada de tensão entre Estados Unidos e Irã colocou o Estreito de Ormuz novamente no centro das atenções internacionais nesta quinta-feira (13). Os dois países fizeram declarações opostas sobre quem exerce o controle da importante passagem marítima, por onde transitava, antes da atual guerra, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados mundialmente.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os americanos têm “controle total” do estreito. A declaração foi contestada pelo governo iraniano, que insiste que a passagem está sob controle e administração de Teerã e que nenhuma embarcação poderá atravessar sem autorização iraniana.
Uma rota essencial para a economia mundial
Localizado entre o Irã e Omã, o Estreito de Ormuz é considerado um dos principais pontos estratégicos do comércio internacional. A passagem conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico, sendo fundamental para o transporte de petróleo e gás produzido por países do Oriente Médio.
A redução do tráfego marítimo já provoca preocupação nos mercados internacionais. Dados citados pela Reuters apontam que o número de embarcações que atravessam a região caiu drasticamente em relação à média registrada antes do início da guerra.
Washington mantém pressão sobre Teerã
Enquanto o Irã afirma que continuará controlando o acesso ao estreito, os Estados Unidos mantêm um bloqueio naval contra embarcações ligadas ao país e afirmam que buscam garantir a liberdade de navegação para navios que não estejam relacionados ao Irã.
O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, declarou nesta quinta-feira que a Marinha dos Estados Unidos possui capacidade para manter o bloqueio aos portos iranianos por tempo indeterminado, com a substituição periódica das embarcações militares na região.
Tensão pode atingir o mundo inteiro
A disputa ultrapassa as fronteiras do Oriente Médio. Qualquer interrupção prolongada no transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz pode afetar os preços dos combustíveis, os custos de transporte e a inflação em diferentes países.
Nesta quinta-feira, o petróleo chegou a reagir às novas tensões na região. O Brent encerrou o dia cotado a US$ 88,24 por barril, enquanto o WTI ficou em US$ 82,56.
Enquanto as negociações entre Washington e Teerã permanecem travadas, o controle do Estreito de Ormuz se transforma em um dos principais pontos de pressão da crise. O cenário mantém o mundo em alerta diante do risco de novos confrontos e de impactos sobre o fornecimento global de energia.
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