Presidente afirma que acordo prevê a retirada gradual das tropas israelenses de Gaza e pode representar um avanço para a região
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (31) que o governo de Israel recebeu de forma positiva o plano de desarmamento completo do Hamas e de outros grupos armados palestinos na Faixa de Gaza. Segundo o republicano, o entendimento representa um dos maiores avanços nas negociações para encerrar definitivamente o conflito na região.
Durante uma reunião de gabinete na Casa Branca, Trump foi questionado sobre a posição do governo israelense em relação ao acordo e respondeu que existe um entendimento entre Washington e Jerusalém.
“Israel está muito feliz com isso”, declarou o presidente americano.
Trump reconheceu, porém, que a implementação do acordo não será simples e afirmou que o processo deverá enfrentar dificuldades.
“Vai passar por altos e baixos. É uma situação muito complexa. As pessoas são muito complexas e difíceis. Em muitos casos, maravilhosas. Em muitos casos, não tão maravilhosas”, afirmou.
O presidente também classificou o entendimento como um “grande avanço” para a estabilidade no Oriente Médio e disse que, até pouco tempo, muitos consideravam impossível chegar a um acordo que previsse o desarmamento do Hamas.
Como funciona o plano
Segundo Trump, o acordo será executado em etapas e prevê, ao final do processo, o desarmamento completo do Hamas e de outros grupos armados que atuam na Faixa de Gaza.
À medida que esse desarmamento for sendo concluído, as Forças de Defesa de Israel iniciariam uma retirada gradual do território palestino.
Na fase seguinte, uma Força Internacional de Estabilização assumiria parte da responsabilidade pela segurança local ao lado de uma nova força policial palestina, formada por integrantes sem vínculos com organizações terroristas.
O plano também prevê a criação de uma nova administração palestina para governar Gaza, substituindo a atual estrutura ligada ao Hamas.
Segundo a proposta apresentada pelos Estados Unidos, essa nova autoridade teria o objetivo de administrar o território, garantir a segurança da população e impedir o retorno de grupos terroristas ao poder.
Negociações foram mediadas por três países
As negociações foram conduzidas ao longo das últimas semanas com mediação de Egito, Catar e Turquia, buscando consolidar a segunda fase do acordo de cessar-fogo firmado entre Israel e o Hamas.
Dois altos dirigentes do Hamas, que falaram sob condição de anonimato, confirmaram que o grupo chegou a um entendimento com Israel sobre os principais pontos do acordo.
Segundo essas fontes, o pacto prevê o desarmamento do grupo terrorista e a retirada gradual das tropas israelenses da Faixa de Gaza, desde que todas as etapas sejam cumpridas.
Os dirigentes também afirmaram esperar que os países mediadores e o chamado Conselho de Paz garantam que Israel cumpra integralmente os compromissos assumidos.
Resistência dentro do governo israelense
Apesar da avaliação positiva feita por Trump, o acordo enfrenta forte resistência dentro do próprio governo de Israel.
O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, criticou duramente a proposta e afirmou que interromper os combates representa um grave risco para a segurança do país.
Em publicação nas redes sociais, Ben Gvir classificou o entendimento como “inaceitável” e afirmou que permitir o fim das operações militares daria ao Hamas tempo para se reorganizar.
Segundo o ministro, aceitar o acordo significaria permitir que o grupo preparasse novos ataques semelhantes aos realizados em 7 de outubro de 2023, quando mais de 1.200 pessoas morreram em Israel.
Para Ben Gvir, a prioridade deve continuar sendo a derrota total do Hamas.
Principal impasse permanece
Embora Trump tenha demonstrado otimismo, ainda existem obstáculos importantes para que o acordo seja colocado em prática.
O principal impasse envolve a sequência das medidas previstas.
O Hamas exige que Israel cumpra integralmente os compromissos assumidos na primeira fase do cessar-fogo antes de entregar seu arsenal.
Entre as exigências estão o encerramento definitivo das operações militares israelenses, a retirada das tropas que permanecem em Gaza e a ampliação da entrada de ajuda humanitária.
Moradores da região também demonstram ceticismo sobre a possibilidade de o acordo avançar.
Em Israel, parte da população teme que o Hamas utilize as negociações apenas para ganhar tempo.
Já em Gaza, palestinos afirmam que diversas promessas feitas durante a primeira fase do cessar-fogo ainda não foram totalmente implementadas, especialmente em relação à abertura das fronteiras e ao acesso da população à assistência humanitária.
Apesar das incertezas, Trump mantém a expectativa de que o acordo possa marcar o início de uma nova fase para a Faixa de Gaza, com a retirada gradual das tropas israelenses, o desarmamento do Hamas e a criação de uma nova estrutura de segurança e governança para o território.
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