Caso de duas irmãs assassinadas em 1973 é solucionado após mais de 50 anos nos EUA

Investigação baseada em avanços da genética forense identificou um homem como principal suspeito; ele morreu em 2008 sem nunca ter sido acusado pelo crime
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA 

Mais de cinco décadas depois, as autoridades dos Estados Unidos conseguiram apontar um possível responsável pelo assassinato de duas irmãs que foram encontradas mortas na Flórida, em 1973. O caso, que permaneceu sem solução durante anos, teve um avanço decisivo graças ao desenvolvimento de novas técnicas de investigação genética.

Maggie Jenkins, de 16 anos, e Mary Jenkins, de 18, eram naturais de Nova Jersey e estavam de férias na Flórida quando desapareceram. Em maio daquele ano, as duas haviam saído para fazer uma caminhada e não retornaram.

Os corpos das irmãs foram posteriormente encontrados em uma região de mata em Key Largo, no sul da Flórida. Segundo as informações da investigação, as jovens haviam sido agredidas e baleadas.

Na época, apesar dos esforços das autoridades, não foi possível identificar o responsável pelo crime. O caso acabou permanecendo sem respostas por décadas, deixando a família das vítimas sem saber quem havia cometido o duplo homicídio.

DNA abriu caminho para a solução

Uma das principais mudanças na investigação ocorreu décadas depois, com o avanço da ciência forense. Em 2018, especialistas do Departamento de Polícia da Flórida conseguiram desenvolver novos marcadores a partir de um perfil parcial de DNA masculino encontrado em uma mancha de sangue presente na roupa de uma das vítimas.

O material genético se tornou uma das peças fundamentais para tentar reconstruir a identidade do autor do crime.

Em 2023, o caso passou a contar com o trabalho do Programa de Investigação Forense em Genealogia Genética do Departamento de Polícia da Flórida, em parceria com o laboratório forense Othram.

A partir do material genético, os investigadores ampliaram o perfil de DNA e realizaram pesquisas em bancos de dados de genealogia genética. A estratégia permitiu construir possíveis relações familiares e avançar na identificação de um homem ligado ao material encontrado na cena do crime.

Suspeito morreu em 2008

As investigações apontaram David Allen Snyder como o principal suspeito do assassinato das duas irmãs.

Snyder, entretanto, morreu em outubro de 2008, muitos anos antes de a polícia conseguir concluir a investigação. Ele nunca chegou a ser formalmente acusado pelo crime.

Para confirmar a ligação genética, investigadores buscaram amostras de DNA de familiares do homem. A comparação permitiu reforçar a conclusão de que Snyder era o indivíduo associado ao perfil genético encontrado durante a investigação.

Mesmo sem a possibilidade de levar o suspeito à Justiça, a identificação representa um importante avanço para a família das vítimas e encerra uma espera que atravessou gerações.

Família recebe resposta depois de décadas

A irmã mais velha de Maggie e Mary acompanhou durante anos a busca por respostas. Ela chegou a viajar para a Flórida após o assassinato das duas na tentativa de descobrir por conta própria o que havia acontecido.

Décadas depois, recebeu em casa a visita de três policiais, que foram pessoalmente comunicar a descoberta.

A notícia provocou choque e emoção. Segundo o relato divulgado, a familiar afirmou que nunca imaginou que o caso pudesse finalmente ser solucionado depois de tantos anos.

A identificação do suspeito não apaga a tragédia vivida pela família, mas oferece uma resposta para uma das perguntas que permaneceram sem solução desde 1973: quem estava por trás da morte das duas irmãs?

O caso também demonstra como o avanço da tecnologia tem permitido às autoridades revisitar crimes antigos. Técnicas de DNA e genealogia genética vêm sendo utilizadas para reexaminar evidências que, décadas atrás, não poderiam ser analisadas com o mesmo nível de precisão.

Assim, mais de 50 anos depois do assassinato de Maggie e Mary Jenkins, a investigação conseguiu chegar a um nome. Embora o suspeito tenha morrido sem enfrentar acusações, a descoberta representa o desfecho de uma longa busca por respostas e uma importante etapa para a família das vítimas.

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