EUA retomam vistos de imigração para Hungria e Polônia

Casa Branca determinou a retomada do processamento nos dois países, enquanto entrevistas para vistos de imigração permanecem suspensas em outras partes do mundo

Por Chico Gomes | GNEWSUSA 

O governo do presidente Donald Trump retomou o processamento de pedidos de vistos de imigração para cidadãos da Hungria e da Polônia. A decisão ocorre enquanto os Estados Unidos mantêm uma suspensão temporária dos agendamentos de entrevistas para vistos de imigrantes em diversas outras partes do mundo.

Segundo informações, a determinação para priorizar as missões diplomáticas norte-americanas nos dois países europeus partiu diretamente da Casa Branca. Até o momento, porém, o governo dos Estados Unidos não apresentou publicamente uma justificativa específica para a escolha da Hungria e da Polônia.

A decisão chama atenção porque ocorre em meio a uma política migratória mais restritiva adotada pela administração Trump em seu segundo mandato. Além do combate à imigração ilegal, o governo vem ampliando medidas para dificultar e controlar também a imigração legal para os Estados Unidos.

Relação com governos de direita

A retomada seletiva dos serviços ocorre em um contexto de aproximação política entre Trump e lideranças de direita dos dois países. O presidente norte-americano já manifestou apoio ao ex-primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, enquanto também mantém relações com o presidente nacionalista da Polônia, Karol Nawrocki.

Apesar da repercussão da medida, nem a Casa Branca nem o Departamento de Estado explicaram por que os processos de imigração foram retomados especificamente na Hungria e na Polônia.

Os governos dos dois países europeus também não haviam apresentado, até a publicação da reportagem, uma explicação oficial sobre a decisão.

Suspensão atingiu 75 países

A retomada ocorre depois de uma ampla suspensão anunciada pelo Departamento de Estado norte-americano em janeiro. Na ocasião, os Estados Unidos determinaram a interrupção temporária do processamento de vistos de imigração para cidadãos de 75 países.

A justificativa apresentada pelo governo era a preocupação de que determinados imigrantes pudessem se tornar um “encargo público”, ou seja, depender de benefícios ou assistência do governo norte-americano para se manter no país.

A medida atingiu países de diferentes regiões, incluindo nações da América Latina — entre elas o Brasil —, além de países dos Bálcãs e do Sul da Ásia.

Em agosto, entretanto, uma decisão judicial determinou a anulação da política. A juíza federal Jeannette A. Vargas considerou a medida ilegal. Mesmo após a decisão, o Departamento de Estado manteve uma paralisação global dos agendamentos enquanto prepara funcionários consulares para aplicar novos critérios de avaliação financeira dos solicitantes.

Novo treinamento mantém serviços paralisados

O governo norte-americano informou que os funcionários das embaixadas e consulados precisam passar por um novo treinamento antes da retomada dos atendimentos de forma ampla.

A capacitação tem como objetivo preparar os agentes para avaliar a situação financeira dos candidatos e determinar se eles teriam condições de se manter nos Estados Unidos sem depender de benefícios públicos.

Com isso, candidatos de diversos países continuam enfrentando cancelamentos ou adiamentos de entrevistas, mesmo após a Justiça ter derrubado a política original de suspensão.

A situação pode prolongar a espera de milhares de pessoas que já estavam em processo de imigração, especialmente aquelas que dependem de vistos para se reunir com familiares que vivem legalmente nos Estados Unidos.

Impacto internacional

Os consulados e embaixadas norte-americanos costumam realizar centenas de milhares de entrevistas para vistos de imigração todos os anos. Grande parte desses pedidos está relacionada a familiares de cidadãos norte-americanos ou de residentes permanentes.

Em 2024, último ano do governo de Joe Biden, os Estados Unidos emitiram aproximadamente 600 mil vistos de imigração.

A atual paralisação, portanto, tem potencial para afetar um grande número de pessoas em diferentes regiões do mundo. A retomada específica para Hungria e Polônia aumenta ainda mais a atenção sobre os critérios utilizados pelo governo norte-americano para decidir quais países terão seus serviços restabelecidos primeiro.

Por enquanto, os Estados Unidos não indicaram quando o processamento regular de vistos de imigração será normalizado nos demais países afetados pela suspensão.

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