Abelardo de La Espriella esteve reunido nesta terça-feira com Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, afirmou nesta terça-feira (8) que a relação entre Colômbia e Estados Unidos está “mais sólida do que nunca”. A declaração ocorreu durante a visita do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, a Barranquilla, onde os dois governos avançaram em uma nova agenda de cooperação bilateral.
O encontro representa uma mudança significativa na política externa colombiana após o período de fortes atritos entre o governo do ex-presidente Gustavo Petro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Durante a reunião, De la Espriella defendeu que a Colômbia volte a ocupar uma posição de destaque na segurança regional e afirmou que pretende transformar o país em um dos principais parceiros dos Estados Unidos na América do Sul.
Segundo a Presidência colombiana, o governo apresentou aos Estados Unidos uma proposta para fortalecer o Plano Patriota Siglo XXI, com investimentos e cooperação em áreas como aviação, radares, drones, defesa aérea, inteligência, ciberdefesa, forças especiais, mobilidade e manutenção das estruturas de segurança.
Combate ao narcotráfico ganha espaço central
A segurança foi um dos principais assuntos da reunião. De la Espriella afirmou que a Colômbia pretende recuperar protagonismo na luta contra o narcotráfico e contra organizações criminosas que atuam no país e possuem conexões internacionais.
A aproximação ocorre em um momento de reforço da estratégia norte-americana de combate ao tráfico de drogas na América Latina. Rubio afirmou que Washington pretende ampliar a cooperação com governos dispostos a atuar de maneira mais firme contra organizações criminosas.
A Colômbia solicitou apoio dos Estados Unidos em equipamentos, inteligência, treinamento e tecnologia para operações de segurança. Entre os objetivos está o fortalecimento da capacidade colombiana de combater grupos ligados ao narcotráfico e ao crime organizado.
De la Espriella também declarou que a Colômbia quer voltar a ser um dos principais parceiros de segurança dos Estados Unidos no continente.
“Vamos a ser aquí los principales socios en Sudamérica”, afirmou o presidente colombiano ao falar sobre a cooperação na área de segurança.
Acordos sobre minerais críticos e energia nuclear
Além da segurança, a visita de Marco Rubio resultou na assinatura de dois instrumentos de cooperação entre os governos colombiano e norte-americano.
Os acordos envolvem minerais críticos e terras raras, considerados estratégicos para a economia e para setores tecnológicos, além de energia nuclear para fins civis.
Os documentos foram assinados pelo secretário de Estado dos Estados Unidos e pelo ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Omar Bula Escobar, durante a agenda realizada em Barranquilla. Segundo a Chancelaria colombiana, os instrumentos têm como objetivo fortalecer a cooperação estratégica e contribuir para o desenvolvimento econômico, energético e produtivo do país.
A agenda também tratou de comércio, reconstrução da Colômbia após o terremoto registrado em agosto e cooperação em segurança.
Imigração também esteve na pauta
Outro tema discutido entre Rubio e De la Espriella foi a imigração ilegal para os Estados Unidos.
O governo colombiano demonstrou disposição para ampliar a cooperação com Washington na questão migratória, em uma sinalização de maior alinhamento com a política adotada pelo governo Trump.
A mudança ocorre depois de um período de forte tensão entre Washington e Bogotá durante o governo Gustavo Petro.
Relação entre Petro e Trump teve momentos de forte tensão
A relação entre Colômbia e Estados Unidos passou por uma das suas maiores crises recentes em janeiro de 2025.
Na ocasião, Petro se recusou inicialmente a receber dois aviões militares norte-americanos que transportavam colombianos deportados dos Estados Unidos. Trump reagiu anunciando uma tarifa de 25% sobre produtos colombianos, além de outras medidas de pressão diplomática e econômica.
A crise, porém, foi rapidamente contornada depois que o governo colombiano concordou em receber os deportados, e as medidas tarifárias anunciadas por Trump ficaram suspensas.
O episódio marcou um dos primeiros grandes confrontos entre os dois governos após o retorno de Trump à Presidência dos Estados Unidos.
Washington endureceu críticas contra o governo Petro
As divergências aumentaram ao longo de 2025, especialmente em relação ao combate ao narcotráfico.
Em outubro daquele ano, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou sanções contra Gustavo Petro e integrantes de sua rede de apoio, incluindo sua esposa e seu filho. O governo norte-americano justificou a medida com base em questões relacionadas ao combate ao tráfico internacional de drogas.
No mesmo período, o Departamento de Estado informou que os Estados Unidos não certificariam a Colômbia em relação aos esforços de combate ao narcotráfico, citando críticas à política antidrogas adotada pelo governo Petro.
A situação chegou a um novo nível de tensão em janeiro de 2026, depois da operação norte-americana que resultou na captura de Nicolás Maduro, na Venezuela.
Naquele momento, Trump afirmou que os Estados Unidos poderiam considerar novas ações na região e fez críticas diretas ao governo Petro.
Nova liderança busca aproximação com Washington
A eleição de Abelardo de la Espriella representou uma mudança no cenário político colombiano. O atual presidente venceu a eleição presidencial de 2026 e assumiu o governo com uma plataforma de direita e uma postura mais favorável ao fortalecimento das relações com os Estados Unidos.
A visita de Marco Rubio a Barranquilla ocorre, portanto, como um dos primeiros grandes movimentos diplomáticos dessa nova fase.
Para o governo colombiano, a aproximação com Washington pode ampliar a cooperação em segurança, comércio, energia e tecnologia. Para os Estados Unidos, a parceria fortalece a atuação de Washington na América do Sul e cria um novo eixo de cooperação no combate ao narcotráfico e às organizações criminosas.
A agenda também ocorre em um cenário de disputa estratégica pela influência na América Latina, com os Estados Unidos buscando ampliar sua presença econômica e política na região.
Uma nova fase nas relações Colômbia-EUA
O encontro entre De la Espriella e Rubio sinaliza uma tentativa de deixar para trás o período de confrontos diplomáticos vivido durante o governo Petro.
Com a nova administração colombiana, segurança, combate ao narcotráfico, controle migratório, energia e comércio passaram a ocupar posição central na relação com Washington.
A assinatura dos acordos sobre minerais críticos e energia nuclear reforça que a aproximação não se limita à área de segurança.
Ao defender uma parceria mais estreita com os Estados Unidos, De la Espriella busca reposicionar a Colômbia como um aliado estratégico de Washington na América do Sul.
Para o governo Trump, a aproximação com Bogotá amplia a rede de países dispostos a cooperar na agenda de segurança e combate ao narcotráfico no continente.
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