Pré-candidato ao governo do Paraná defende transparência, combate à corrupção e apuração de todos os envolvidos
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
O senador Sergio Moro (PL-PR) afirmou que pretende transformar o Paraná em um modelo nacional de gestão pública, segurança e desenvolvimento econômico baseado em tecnologia.Durante entrevista, o ex-juiz da Lava Jato detalhou propostas para o estado, criticou o atual cenário político brasileiro, comentou escândalos recentes envolvendo corrupção e também defendeu mudanças no Supremo Tribunal Federal (STF).
Ao justificar sua pré-candidatura ao governo do Paraná, Moro declarou que deseja construir um estado “modelo” para o restante do país, defendendo liberdade de expressão, segurança jurídica, direito à propriedade e fortalecimento do combate à corrupção.
Segundo ele, o Paraná pode se tornar referência nacional em áreas como inovação, tecnologia, agronegócio e segurança pública.
“Queremos fazer do Paraná a nossa fortaleza. Um estado que seja exemplo para o Brasil.”
Agência Estadual Anticorrupção é uma das principais propostas
Um dos pontos centrais apresentados por Moro é a criação de uma Agência Estadual Anticorrupção com autonomia administrativa e independência política.
O senador explicou que o órgão funcionaria com mandato fixo para o diretor, nos moldes do Banco Central, evitando interferências do governo estadual.
De acordo com Moro, o objetivo seria fortalecer mecanismos internos de fiscalização, prevenção de fraudes e combate a desvios de recursos públicos.
“A ideia é criar uma estrutura institucional que imunize a agência de pressões políticas.”
O ex-juiz também afirmou que o Brasil vive atualmente um retrocesso na pauta anticorrupção e criticou decisões que anularam condenações da Operação Lava Jato.
Críticas ao STF e defesa de mudanças na Suprema Corte
Durante a entrevista, Moro voltou a defender mudanças no funcionamento do STF. Segundo ele, parte dos ministros da Corte estaria assumindo uma postura excessivamente política e ultrapassando limites institucionais.
Entre as propostas defendidas pelo senador estão:
• Mandato de tempo determinado para ministros do STF;
• Fim do foro privilegiado;
• Maior equilíbrio entre os poderes;
• Redução da interferência do Judiciário em temas políticos.
Moro citou inclusive a proposta apresentada pelo senador Plínio Valério que prevê mandato de 12 anos para ministros da Suprema Corte.
“Precisamos melhorar a instituição para preservá-la.”
Segurança pública e combate ao crime organizado
Ao falar sobre segurança, Moro afirmou que pretende tornar o Paraná “o estado mais seguro do Brasil”. O senador relembrou sua passagem pelo Ministério da Justiça e disse que o crime organizado estava “na defensiva” durante sua gestão.
Ele também voltou a mencionar ameaças atribuídas ao PCC.
“Eu sou o único ministro da Justiça ameaçado pelo PCC porque fomos para cima do crime organizado.”
O parlamentar defendeu endurecimento contra facções criminosas, fortalecimento das forças policiais e investimentos em inteligência e tecnologia na segurança pública.
Tecnologia e inovação como pilares econômicos
Além da pauta de segurança, Moro destacou que pretende impulsionar o desenvolvimento econômico do Paraná por meio da tecnologia.
Segundo ele, embora o estado tenha forte agronegócio e indústria consolidada, ainda existe atraso em áreas ligadas à tecnologia da informação, data centers e inovação.
O senador afirmou que deseja aproximar o Paraná de um modelo econômico mais moderno e competitivo.
“A economia do futuro é tecnologia.”
Moro também afirmou que pretende ampliar investimentos em infraestrutura energética para garantir estabilidade no fornecimento de energia, principalmente no interior do estado.
Críticas à Copel e preocupação com produtores rurais
Outro tema abordado foi a situação da Copel. Moro afirmou que o aumento das reclamações contra a empresa demonstra falhas no serviço prestado após a privatização.
O senador relatou prejuízos enfrentados por produtores rurais e indústrias devido a quedas constantes de energia elétrica.
Segundo ele, produtores chegaram a perder aves, peixes e produção agrícola por falta de abastecimento adequado.
“Não adianta privatizar e entregar um serviço ruim para a população.”
Apesar das críticas, Moro deixou claro que não é contra privatizações, mas defendeu modelos bem estruturados e com forte fiscalização.
Celepar e preocupação com dados pessoais
Ao comentar a possível privatização da Celepar, Moro afirmou que a discussão precisa ser feita com cautela.
Segundo ele, o processo atual levanta preocupações relacionadas à segurança de dados dos paranaenses.
“Não pode ser algo feito nas coxas.”
O senador disse apoiar a iniciativa privada, mas ressaltou que qualquer processo de privatização precisa garantir eficiência, concorrência e proteção de informações sensíveis da população.
Lava Jato, críticas e defesa da própria trajetória
Ao longo da entrevista, Moro também respondeu críticas sobre sua atuação na Operação Lava Jato.
O senador afirmou que houve uma “inversão de valores” no Brasil e criticou a anulação de condenações de políticos investigados por corrupção.
Entre os nomes citados por ele estão Luiz Inácio Lula da Silva, Sérgio Cabral e Eduardo Cunha.
Segundo Moro, a responsabilização acabou sendo transferida para investigadores e magistrados que atuaram nos processos.
“A Lava Jato trouxe esperança para o país.”
Ao encerrar a entrevista, Moro afirmou que seu foco não é disputar futuramente a Presidência da República, mas sim construir um governo estadual técnico e eficiente no Paraná.
Segundo ele, o objetivo é mostrar que existe alternativa ao atual cenário político nacional.
“Os exemplos arrastam mais do que as palavras.”
Leia mais
PRF resgatou cerca de 200 imigrantes nos últimos três anos em Roraima
Flávio Bolsonaro viaja aos EUA e articula encontro com Donald Trump em meio à corrida presidencial
Ebola avança na África e OMS monitora mais de 900 casos suspeitos da doença

Faça um comentário