COI arquiva denúncia contra Infantino e descarta investigação sobre suposta influência de Trump na Copa

Foto: Reprodução.
Comissão de Ética conclui que acusações envolvendo a relação entre o presidente da Fifa e Donald Trump estão fora do alcance do Código de Ética do Comitê Olímpico Internacional
Por Schirley Passos|GNEWSUSA

A Comissão de Ética do Comitê Olímpico Internacional (COI) decidiu arquivar a denúncia apresentada contra o presidente da Fifa, Gianni Infantino, por suposta violação do princípio de neutralidade política durante a Copa do Mundo.

A representação havia sido protocolada pela organização de direitos humanos Fair Square, que questionava a proximidade entre o dirigente e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além de alegadas interferências em decisões disciplinares da competição.

Em comunicado divulgado na última sexta-feira (24), o COI informou que não abrirá investigação contra Infantino por entender que as acusações dizem respeito exclusivamente à administração da Fifa e à forma como a entidade conduz sua governança e aplica os regulamentos do futebol.

Segundo a Comissão de Ética, as decisões relacionadas à gestão da Fifa e ao relacionamento institucional com governos nacionais estão fora da competência do Código de Ética do Comitê Olímpico Internacional.

A Fair Square argumentava que Infantino, que também integra o quadro de membros do COI, teria comprometido o compromisso de independência política previsto na Carta Olímpica. A organização citou como exemplo a participação do dirigente no chamado “Conselho da Paz”, promovido por Donald Trump em fevereiro, ocasião em que o presidente da Fifa apareceu usando um boné com as inscrições “USA” e “45-47”, referência aos dois mandatos presidenciais do líder norte-americano.

Caso Balogun motivou a denúncia

Um dos principais pontos levantados pela ONG envolveu a anulação do cartão vermelho aplicado ao atacante americano Folarin Balogun durante a Copa do Mundo. O episódio ganhou repercussão após Donald Trump afirmar publicamente que telefonou para Gianni Infantino para tratar do assunto e que teria influenciado a revisão da punição.

A declaração gerou questionamentos sobre uma possível interferência política em decisões esportivas, levantando dúvidas sobre a autonomia dos órgãos disciplinares da Fifa.

Infantino nega qualquer influência externa

Gianni Infantino reconheceu que mantém contato frequente com chefes de Estado, incluindo Donald Trump, especialmente em assuntos relacionados à organização da Copa do Mundo. No entanto, o dirigente afirmou que essas conversas não interferem no funcionamento dos órgãos independentes da entidade.

Segundo o presidente da Fifa, as decisões disciplinares são tomadas de forma autônoma pelo Comitê Disciplinar da federação e são respeitadas integralmente, independentemente de sua opinião pessoal sobre cada caso.

Com o posicionamento da Comissão de Ética do COI, a denúncia foi considerada fora do alcance das normas disciplinares da entidade olímpica, encerrando o procedimento sem abertura de investigação contra o dirigente da Fifa.

Confira o posicionamento oficial do Comitê Olímpico Internacional

A Comissão de Ética do COI analisou minuciosamente a denúncia apresentada pela FairSquare.

A Comissão observou que, de acordo com a Carta Olímpica, cada Federação Internacional (FI) mantém sua independência e autonomia em sua governança. O âmbito de aplicação do Código de Ética do COI em relação às Federações Internacionais e aos seus dirigentes é especificamente limitado às suas relações com o COI.

A Comissão de Ética do COI constatou que a presente denúncia, inclusive no que diz respeito ao presidente da FIFA, refere-se apenas às decisões da Federação Internacional sobre sua governança e administração, incluindo suas relações com governos, bem como à implementação, pela Federação Internacional, das regras de sua modalidade esportiva. Ambos os temas estão fora do escopo de aplicação do Código de Ética do COI.

Consequentemente, a denúncia está fora da jurisdição da Comissão de Ética do COI. A FairSquare foi informada dessa decisão.

Independentemente dessa denúncia, conforme reafirmado na recente Sessão do COI, o COI continuará seus esforços para fortalecer a boa governança em todo o Movimento Olímpico e promover maior clareza quanto aos respectivos papéis, responsabilidades e prestação de contas das organizações que o compõem.

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