Surto de sarampo nos EUA bate recorde e ultrapassa 2,3 mil casos confirmados

Número de infecções já supera todo o registrado em 2025; autoridades de saúde alertam para queda na vacinação e risco de novos surtos em diferentes estados
Por Paloma de Sá |GNEWSUSA

Os Estados Unidos vivem o pior cenário de sarampo em mais de três décadas. Dados atualizados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) mostram que o país já contabiliza 2.318 casos confirmados da doença em 2026, ultrapassando o total registrado durante todo o ano passado e estabelecendo o maior número anual desde 1991. O avanço da doença preocupa autoridades de saúde, que atribuem a expansão dos surtos principalmente à redução da cobertura vacinal em diversas comunidades, aumentando o risco de transmissão em larga escala.

Avanço da doença acende alerta nacional

Embora os Estados Unidos tenham eliminado a transmissão endêmica do sarampo em 2000 graças às campanhas de vacinação, o vírus voltou a ganhar força nos últimos anos. O cenário de 2026 representa um marco negativo para a saúde pública americana, já que o país superou, ainda em julho, todos os casos registrados em 2025.

Especialistas afirmam que o aumento das infecções demonstra uma mudança preocupante no comportamento epidemiológico da doença. O sarampo é considerado um dos vírus mais contagiosos do mundo e encontra ambiente favorável para se espalhar quando a cobertura vacinal cai abaixo dos níveis considerados seguros.

Queda da vacinação preocupa autoridades

O CDC aponta que a cobertura nacional da vacina tríplice viral (MMR), que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, caiu para cerca de 92,5% entre crianças em idade escolar. O índice está abaixo dos 95% considerados necessários para garantir a chamada imunidade coletiva, capaz de interromper a circulação do vírus.

Segundo as autoridades sanitárias, a maioria dos casos registrados neste ano ocorreu entre pessoas não vacinadas ou com situação vacinal desconhecida. Crianças e adolescentes representam a maior parcela dos infectados, tornando esse grupo o mais vulnerável às complicações da doença.

Estados concentram os maiores surtos

Até o momento, o vírus já foi identificado em 45 estados e no Distrito de Columbia, mas alguns locais concentram a maior parte das infecções.

Entre os estados mais afetados estão:

  • Carolina do Sul;

  • Utah;

  • Arizona;

  • Texas;

  • Flórida;

  • Virgínia;

  • Pensilvânia.

Em algumas dessas regiões, surtos iniciados no fim de 2025 continuam alimentando novas cadeias de transmissão, dificultando o controle da doença.

Hospitalizações seguem elevadas

Apesar de não haver registro de mortes por sarampo nos Estados Unidos em 2026 até a última atualização do CDC, centenas de pacientes precisaram de atendimento hospitalar.

As crianças menores de cinco anos continuam sendo o grupo que apresenta maior risco de complicações, incluindo pneumonia, encefalite e desidratação, condições que podem exigir internação. Os dados também mostram que adolescentes e adultos jovens seguem representando parcela importante dos casos confirmados.

Risco preocupa além das fronteiras

O crescimento do número de casos também chama a atenção de autoridades sanitárias internacionais. Como os Estados Unidos recebem milhões de visitantes todos os anos, há preocupação com a possibilidade de exportação de casos para outros países.

Especialistas lembram que pessoas não imunizadas podem contrair o vírus durante viagens internacionais e introduzi-lo em comunidades com baixa cobertura vacinal, favorecendo o surgimento de novos surtos.

O que é o sarampo

O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa transmitida pelo ar por meio de gotículas expelidas quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou fala.

Os principais sintomas incluem:

  • febre alta;

  • tosse persistente;

  • coriza;

  • olhos avermelhados;

  • manchas brancas na parte interna da boca;

  • erupções avermelhadas na pele que se espalham pelo corpo.

Em alguns pacientes, especialmente crianças pequenas, gestantes e pessoas com baixa imunidade, a doença pode evoluir para complicações graves.

Vacinação continua sendo a principal proteção

As autoridades de saúde reforçam que a vacina tríplice viral continua sendo a forma mais eficaz de prevenção. O esquema completo, composto por duas doses, oferece aproximadamente 97% de proteção contra o sarampo.

Enquanto o CDC mantém o monitoramento dos surtos em todo o país, especialistas alertam que a recuperação das taxas de vacinação será decisiva para conter o avanço da doença e evitar que os Estados Unidos percam o status histórico de país livre da transmissão endêmica do vírus.

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