Flávio Dino será relator de ação que pede adiamento do fim da escala 6×1

CNC questiona o prazo para a transição da jornada de trabalho, mas afirma não contestar a redução para 40 horas semanais nem a garantia de dois dias de descanso
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi sorteado na quarta-feira (4) para relatar uma ação apresentada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) que busca adiar o cronograma de implementação do fim da escala 6×1 no Brasil.

A entidade pede que o Supremo suspenda os prazos estabelecidos pela Emenda Constitucional 141/2026, promulgada pelo Congresso Nacional em outubro. A norma prevê a redução gradual da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição salarial, além da garantia de dois dias de descanso remunerado por semana.

A CNC, no entanto, afirma que não pretende derrubar o conteúdo da mudança. O questionamento está concentrado no tempo concedido às empresas para se adaptarem às novas regras, reorganizarem turnos, contratarem funcionários e renegociarem acordos e convenções coletivas.

O que a CNC pede ao STF

Na ação apresentada à Corte, a confederação solicita a alteração das datas previstas para a transição. Pelo cronograma original, a primeira etapa começa em 16 de dezembro de 2026, quando o limite máximo de trabalho semanal passa de 44 para 42 horas.

A etapa seguinte está prevista para ocorrer 12 meses depois, quando a jornada máxima será reduzida para 40 horas semanais.

A proposta da CNC é transferir a primeira fase para 16 de outubro de 2027. Com isso, a redução definitiva para 40 horas semanais passaria a ser exigida a partir de outubro de 2028.

A entidade argumenta que o prazo de aproximadamente 60 dias entre a promulgação da emenda e o início da primeira etapa é insuficiente para que empresas de diferentes portes façam os ajustes necessários.

Comércio aponta dificuldades de adaptação

Um dos principais argumentos apresentados pela CNC é o impacto da mudança sobre o funcionamento do comércio, especialmente durante o período de maior movimento do ano.

De acordo com a entidade, dezembro concentra datas importantes para o setor, como as festas de Natal e Ano-Novo, quando o fluxo de consumidores e a demanda por trabalhadores aumentam.

A confederação sustenta que a reorganização das escalas em prazo reduzido pode exigir novas contratações, mudanças nos turnos e renegociação de acordos coletivos. Essas medidas, segundo a argumentação da entidade, demandariam planejamento e tempo para serem implementadas.

A preocupação também envolve empresas que precisam manter atendimento contínuo ou ampliar equipes em determinados períodos, como estabelecimentos comerciais, supermercados, hotéis e serviços ligados ao turismo.

O que muda com o fim da escala 6×1

A escala 6×1 é um modelo de organização do trabalho em que o empregado trabalha por seis dias consecutivos e tem um dia de descanso.

Com a mudança aprovada pelo Congresso, a jornada máxima semanal será reduzida gradualmente de 44 para 40 horas, sem corte de salário, e os trabalhadores passarão a ter direito a dois dias de descanso remunerado por semana.

A transição foi estabelecida para permitir a adaptação das relações de trabalho às novas regras. A primeira redução, de 44 para 42 horas, está prevista para dezembro de 2026. Depois, o limite chegará a 40 horas semanais.

A discussão levada ao STF pela CNC não se concentra, portanto, na existência do novo direito, mas na validade e na viabilidade do calendário definido para sua aplicação.

Flávio Dino vai analisar o pedido de liminar

Com o sorteio, Flávio Dino ficará responsável pela relatoria do processo e pela análise inicial do pedido apresentado pela confederação.

A CNC solicita uma decisão liminar, ou seja, uma medida provisória que poderá suspender os prazos previstos na emenda enquanto o Supremo examina o caso.

O ministro poderá avaliar o pedido individualmente e, posteriormente, submeter a discussão ao plenário do STF, onde os demais integrantes da Corte poderão analisar a controvérsia.

Até o momento do sorteio, não havia decisão do Supremo suspendendo o cronograma. Assim, as datas previstas na emenda permanecem como referência enquanto não houver determinação judicial em sentido contrário.

Debate envolve trabalhadores e setor produtivo

A ação coloca em discussão os prazos de implementação de uma mudança que afeta diretamente a organização do trabalho no país.

De um lado, a CNC sustenta que o setor empresarial precisa de mais tempo para reorganizar suas operações e cumprir as novas exigências. De outro, a alteração aprovada pelo Congresso estabelece um calendário para a ampliação do descanso semanal e a redução da jornada dos trabalhadores.

A decisão do STF poderá esclarecer se o cronograma definido pelo Legislativo deve ser mantido ou se haverá necessidade de ajustes nos prazos solicitados pela entidade empresarial.

Enquanto o processo aguarda análise, a discussão sobre a escala 6×1 continua mobilizando representantes de trabalhadores, empregadores e autoridades públicas, especialmente diante dos efeitos que a mudança poderá produzir nas relações de trabalho e na rotina de diferentes setores da economia.

Jornal GNewsUSA — BRAZILIANS AROUND THE WORLD

  • LEIA MAIS:

Nova diretriz de cardiogeriatria orienta tratamento de pacientes idosos e reforça atenção à fragilidade

OMS aponta avanço histórico no combate às doenças tropicais negligenciadas, mas alerta para risco de retrocessos

Flávio Bolsonaro será palestrante em conferência conservadora na residência de Trump nos EUA

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*