Bolívia decreta prisão de aliado de Lula; Evo Morales é acusado de terrorismo

Mandado aponta suposto envolvimento nos bloqueios que paralisaram o país por mais de 50 dias

Por Ana Raquel|GNEWSUSA 

Aliado político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e um dos principais líderes da esquerda na América Latina, o ex-presidente da Bolívia Evo Morales voltou a enfrentar um novo avanço das investigações judiciais em seu país. O Ministério Público boliviano expediu, nesta quarta-feira (29), uma nova ordem de prisão contra Morales pelos supostos crimes de terrorismo e levante armado, no âmbito das investigações sobre os bloqueios de rodovias e protestos que paralisaram a Bolívia por mais de 50 dias entre maio e junho.

A medida foi confirmada pelo procurador-geral do Estado, Roger Mariaca. O mandado foi expedido pelo procurador Brayan Melgar e decorre de uma ação apresentada pelo Comitê Cívico Pró-Santa Cruz, que atribui ao ex-presidente responsabilidade pelas mobilizações que provocaram uma das maiores crises de abastecimento dos últimos anos no país.

Durante os protestos, mais de 80 bloqueios chegaram a ser registrados simultaneamente. As interdições comprometeram o transporte de alimentos, combustíveis e medicamentos, provocando desabastecimento em diversas regiões bolivianas e agravando a crise econômica.

Diante da escalada da situação, o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, decretou estado de exceção em junho e autorizou o emprego das Forças Armadas para liberar as rodovias e restabelecer a circulação de cargas e pessoas.

Pelas redes sociais, Morales negou as acusações e afirmou ser vítima de perseguição política, alegando que o governo busca responsabilizá-lo pelos protestos.

Esta é a segunda ordem de prisão em vigor contra Morales. Ele também é investigado em outro processo que apura um suposto caso de tráfico de pessoas envolvendo uma menor de idade. O ex-presidente nega as acusações e afirma que os processos têm motivação política.

Após a decisão, uma entidade de trabalhadores da educação divulgou manifesto em apoio a Morales e classificou o caso como perseguição política.

Evo Morales governou a Bolívia entre 2006 e 2019 e mantém um histórico de proximidade política com Lula. Ambos participaram de encontros internacionais, defenderam pautas comuns e integraram, ao longo dos anos, o grupo de líderes da esquerda latino-americana.

Com a nova ordem de prisão, o ex-presidente boliviano amplia sua lista de processos judiciais e volta ao centro da crise política do país. As investigações continuam em andamento e caberá às autoridades bolivianas apurar as responsabilidades pelos protestos que causaram impactos econômicos e sociais em diversas regiões da Bolívia.

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