Facções usam programas do governo Lula para aplicar golpes digitais, revela auditoria do TCU

PCC e Comando Vermelho criaram anúncios falsos com benefícios públicos para enganar principalmente aposentados

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) revelou que facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) estruturaram uma rede de fraudes digitais utilizando a imagem de programas públicos e instituições oficiais para aplicar golpes contra a população.

Segundo o relatório, os criminosos usaram iniciativas do governo federal, lançadas durante a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como o Desenrola Brasil e o Voa Brasil, para criar anúncios falsos e atrair vítimas, principalmente pessoas em situação de vulnerabilidade financeira.

A auditoria identificou 1,7 mil anúncios fraudulentos publicados entre os dias 10 e 21 de janeiro de 2025. As campanhas criminosas exploravam dificuldades econômicas e mudanças relacionadas às regras de envio de dados de transações via Pix à Receita Federal para gerar sensação de urgência e induzir as vítimas a fornecer informações pessoais.

De acordo com o levantamento, 83,2% dos anúncios falsos utilizavam logotipos oficiais, cores institucionais do governo federal e elementos visuais semelhantes aos de bancos públicos, como a Caixa Econômica Federal, para passar uma falsa aparência de legitimidade.

Golpes miravam aposentados e pessoas de baixa renda

A auditoria apontou que os criminosos direcionaram grande parte das fraudes para aposentados do INSS e famílias de baixa renda. Os anúncios prometiam benefícios, descontos, renegociação de dívidas e valores a receber, mas tinham como objetivo coletar dados pessoais ou induzir pagamentos falsos.

No caso do Desenrola Brasil, os golpes começaram a circular em julho de 2024. As falsas ofertas prometiam a regularização do nome de pessoas inadimplentes e solicitavam informações pessoais, além de cobranças de supostas taxas por meio do Pix.

Já no Voa Brasil, programa voltado à oferta de passagens aéreas com preços reduzidos, criminosos passaram a divulgar anúncios falsos direcionados principalmente a aposentados. Também foram identificadas fraudes envolvendo supostos valores a receber e serviços atribuídos ao Banco Central.

Uso de inteligência artificial para enganar vítimas

O relatório do TCU também destacou o uso de ferramentas de inteligência artificial pelos criminosos para manipular imagens e vozes de lideranças políticas e produzir conteúdos falsos com aparência profissional.

As peças publicitárias simulavam comunicados oficiais, mostravam imagens de filas em bancos e utilizavam estratégias de persuasão para convencer vítimas de que estavam diante de oportunidades reais.

Segundo o TCU, as informações obtidas pelos criminosos podem ser usadas em outras práticas ilegais, como clonagem de cartões, invasão de contas e golpes pelo WhatsApp.

Além do roubo de dados, algumas vítimas chegaram a realizar transferências via Pix para contas controladas pelos criminosos, aumentando os prejuízos financeiros.

Alerta sobre avanço das fraudes digitais

O levantamento reforça o crescimento dos crimes digitais no Brasil e o uso de ferramentas tecnológicas por organizações criminosas para ampliar sua atuação.

A auditoria aponta a necessidade de aprimorar mecanismos de fiscalização, proteção de dados e combate a anúncios fraudulentos, especialmente em plataformas digitais onde criminosos conseguem alcançar milhares de pessoas em pouco tempo.

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